sábado, 8 de fevereiro de 2014

Cristovam Buarque é o nome cada vez mais dito no PDT

DEU NO JORNAL DE BRASÍLIA - 21/1/2014
Cristovam Buarque é o nome cada vez mais dito no PDT

Integrantes do partido de Lupi apostam e querem Cristovam como candidato à Presidência

Suzano Almeida
suzano.almeida@jornaldebrasilia.com.br

Os problemas do PT com o PDT parecem não estar apenas no diretório do Distrito Federal. Descontentes por estar na base da presidente Dilma Rousseff, outros estados, como o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul, também romperam com os governos locais, chefiados pela base, e sugerem a candidatura própria do partido à Presidência da República.
O nome mais cotado para o desafio é o do senador brasiliense Cristovam Buarque, que disputou o cargo em 2006, sendo vencido pelo ex-presidente Lula.
Diante da indicação feita pelo presidente do PDT do Rio Grande do Sul, Romildo Bolzan Júnior, Cristovam nega o desejo de entrar novamente na disputa e acredita que existam outros bons nomes do partido. “Eu também insisto que tenhamos candidato à Presidência, mas acredito que pode ser outro nome, que não o meu. Minha vez já passou. Eu queria em 2010, pois tinha pouco tempo que tinha disputado contra o Lula, mas não foi possível”, alega o senador, apontando como possíveis candidatos o senador Pedro Taques, do Mato Grosso, e o deputado federal pelo Rio Grande do Sul Vieira da Cunha.
Segundo Bolzan, o partido precisa se firmar nacionalmente, especialmente depois das manifestações que ocorreram entre maio e junho do ano passado por todo o País. A declaração dada ao Jornal de Brasília, na semana passada, repercute dentro do PDT.
“Essas conversas já chegaram ao presidente Carlos Lupi há muito tempo. A militância, em todo os lugares que eu vou, pede abertamente que nós tenhamos candidato a presidente”, afirma Cristovam.
Troca malfeita
O senador critica o partido e afirma que o maior problema para sair do governo são os cargos. “O governo Dilma é o que mais deu cargos para o PDT. Nós trocamos o projeto de nação do presidente Brizola por um ministério”, lamenta Cristovam.
Saiba Mais
O senador Cristovam Buarque acredita que Pedro Taques e Vieira da Cunha seriam viáveis à disputa por serem mais novos.
A reunião da Executiva do PDT será no dia 4 de fevereiro, mas decisão final deverá ocorrer apenas entre maio e junho.
Rui Falcão e Dilma devem se reunir na próxima segunda para tratar do tema.

Uma relação que traz muita preocupação
O presidente do PDT gaúcho, Bolzan Júnior, acredita, que no caso de uma negativa definitiva de Cristovam Buarque outra alternativa para as pretensões do partido seria o senador mato-grossesse Pedro Taques. O nome também é apoiado por Cristovam. “Eu acredito que poderia sim ser o senador Pedro Taques, o nome do PDT para disputar a Presidência”, declara Cristovam, que completa: “Sou a favor principalmente porque o País vai mal em várias áreas, como a segurança, a saúde, a educação e a ciência e tecnologia, em qual atualmente estamos mais atrasados, em relação ao resto do mundo do que há dez anos atrás”, analisa.
Chama a atenção
Os rebeldes pedetistas tem chamado a atenção da presidente Dilma Rousseff, que se reunirá até o final do mês com o presidente do PDT, Carlos Lupi, para definir qual o caminho que será tomado pelas duas parte.
A assessoria de Lupi informou que a Executiva está discutindo sua permanência na base do governo federal e que ela deverá se reunir no início do mês que vem para definir qual será o destino a ser tomado.
No Partido dos Trabalhadores, o assunto está sendo tratado pessoalmente pelo presidente nacional, Rui Falcão. A assessoria do Diretório Nacional afirma que, quanto ao caso do PDT, ainda não há novidade sobre o que possa acontecer, mas que até o momento a relação com o aliado ainda está normal. A assessoria petista diz ainda que em cada estado a história de alianças se porta de forma diferente. Ela diz ainda que a Direção Nacional trabalha para manter as alianças nacionais também nos estados.
A assessoria do senador Pedro Taques não foi encontrada.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
http://www.jornaldebrasilia.com.br/noticias/politica/524594/cristovam-buarque-e-o-nome-cada-vez-mais-dito-no-pdt/

Mulher de Henrique Pizzolato recebe ISTOÉ em Modena, na Itália, fala sobre suas angústias, critica a Justiça brasileira e acusa o PT de nunca ter enfrentado o mensalão de frente

"Ninguém queria deixar o Brasil. Mas era preciso achar uma saída"

Mulher de Henrique Pizzolato recebe ISTOÉ em Modena, na Itália, fala sobre suas angústias, critica a Justiça brasileira e acusa o PT de nunca ter enfrentado o mensalão de frente

Paulo Moreira Leite e Janaina Cesar, enviada especial a Modena (Itália)
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FIM DO SILÊNCIO 
Andrea Haas, mulher do ex-diretor do Banco do Brasil 
Henrique Pizzolato, chega ao escritório de seu advogado na 
sexta-feira 7, horas antes de conceder a entrevista à

 ISTOÉ
Em Modena, na Itália, eram cinco horas da tarde da sexta-feira 7 quando Andrea Haas, mulher do mensaleiro Henrique Pizzolato, terminou uma reunião com seus advogados. Ela acabara de receber a notícia de que o marido permaneceria na cadeia, pois o pedido de liberdade provisória lhe fora negado. Ali mesmo, no escritório, concordou em receber a reportagem de ISTOÉ. Nos primeiros dez minutos da entrevista, Andrea quase não conseguia articular as respostas. Suas mãos tremiam – fruto do nervosismo provocado pela constatação de que o plano de fuga do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil deu errado. E a certeza de que a Justiça italiana o trataria melhor do que STF também já não era a mesma. O posicionamento de Andrea foi determinante na decisão de Pizzolato deixar o Brasil. Durante a entrevista, ela reafirma que não vislumbraram outra saída a não ser fugir do País. Andrea, no entanto, se recusou a esclarecer como foram falsificados os documentos usados por Pizzolato, não comentou sobre a situação financeira do casal na Europa e nem explicou por que razão ele votou em nome do irmão nas eleições de 2008, quando a prisão dos mensaleiros ainda não estava na agenda política brasileira. A tensão de Andrea só diminuiu quando ela começou a comentar a atuação do marido no Banco do Brasil e a criticar os ministros do STF.

ISTOÉ – Vocês imaginavam que essa prisão pudesse ocorrer agora? 
Andrea Haas –
 Não. Não estávamos esperando por isso.
ISTOÉ – Mas a televisão mostrou que vocês ficavam com as luzes apagadas, com janelas fechadas, como se estivessem sabendo que poderiam estar sendo monitorados. 
Andrea –
 As pessoas esquecem que estamos no inverno e por isso as janelas ficavam fechadas.

ISTOÉ – Por que vocês decidiram fugir do Brasil? 
Andrea – 
Isso aconteceu quando ficou claro que não havia mais saída jurídica para nós. É claro que, se fosse possível escolher, não queríamos sair do Brasil. Ninguém queria deixar o País. Mas era preciso achar uma saída. Temos um monte de sobrinhos e queríamos ver o crescimento de todos eles. Também gostamos de morar no Brasil, de encontrar os amigos. Nossa vida está lá. Mas eu aprendi com meu pai que não podemos nos submeter. Nós não podemos nos submeter aos erros da justiça brasileira. Podemos até morrer, mas não podemos deixar de procurar uma saída, porque sempre existe uma saída na vida. Por isso decidimos sair do Brasil. Querem roubar nossa dignidade. Queremos uma saída. Queremos sobreviver. Temos esse direito.
ISTOÉ – A senhora acha que a Justiça italiana será melhor para Henrique Pizzolato do que a brasileira? 
Andrea –
 Não sei. Não conheço. Até agora o governo brasileiro não enviou o pedido de extradição. Não sabemos o que vai acontecer, pois é a partir daí que as coisas podem se mexer. Mas já vi uma diferença importante.
"Querem roubar nossa dignidade. 
Queremos sobreviver. Temos esse direito”
ISTOÉ – Qual? 
Andrea – 
Na Itália os julgamentos não são televisionados. São feitos por três juízes, a portas fechadas.
ISTOÉ – Por que isso seria bom, no entendimento da senhora? 
Andrea –
 As pessoas falam no Brasil que a televisão no julgamento é algo democrático, mas não é nada disso. Ela mostra os ministros falando, mas não mostra os documentos. Não mostravam as provas, o que estava por trás daquilo. Então era só um lado. Que transparência é essa? É uma grande hipocrisia. O Henrique (Pizzolato) deu um depoimento televisionado pela TV. Foi um espetáculo. Só isso.
ISTOÉ – Como a senhora se sente depois da prisão de Pizzolato? 
Andrea –
 Eu me sinto arrasada. Você deixa de ser dono da sua vida. O Henrique está angustiado e decepcionado. Esperamos que justiça italiana seja mais correta e íntegra. Na União Européia, os direitos humanos e o amplo direito de defesa são garantias fundamentais. Hoje, a vida do Henrique não é mais dele. Quem manda em tua vida são os advogados, os juízes, os jornalistas. Quando começou tudo isso, a gente caiu num mundo que não conhecia, não temos mais controle. Você descobre que a verdade pouco importa. O que importa são os interesses políticos, o interesse material. É uma grande angústia, uma grande decepção.
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"O Henrique pizzolato sempre foi CDF. 
Sempre fez tudo direitinho e certinho”
 ISTOÉ – Você se sentiram sozinhos nos dias que antecederam à prisão? 
Andrea –
 O tempo inteiro. Não me sinto abandonada porque, apesar de tudo, não sou vítima. Olhamos para a frente. Estamos enfrentando todos os obstáculos. Conseguimos sobreviver. Todo o dia eu tenho que convencer as pessoas. Tento mostrar o que aconteceu, mas é como se estivesse diante de uma avalanche de mentiras. Isso não é viver. Ninguém quer perder 5 minutos de seu tempo para saber a verdade. 
ISTOÉ – Como a senhora avalia o comportamento do PT em relação ao Henrique Pizzolato durante julgamento do mensalão?
Andrea –
 Eu acho que ao longo do julgamento muitas pessoas fingiam não ver o que estava acontecendo. Elas achavam que não seriam atingidas e não queiram se envolver. Eu também ajudei a formar esse partido. Mas eu acho que o PT nunca soube enfrentar esse processo de frente. Deixou-se carimbar.
"O PT nunca soube enfrentar esse 
processo de frente. Deixou-se carimbar”
ISTOÉ – De uma forma ou de outra, a senhora teve contato com advogados, com pessoas que entendem de Direito. Quais impressões eles têm do julgamento do mensalão?  
Andrea – 
Eles estão muito impressionados com o fato de que os réus não puderam ter um segundo grau de jurisdição. Isso é o que mais incomoda. Este é um direito que existe no mundo inteiro. Quando ouvem falar sobre isso eles dizem que é muito estranho.  Um outro ponto que incomoda é a noção de que foi um julgamento político.  
ISTOÉ – Mas no julgamento no STF, alguns ministros disseram que os embargos poderiam ser considerados um segundo julgamento... 
Andrea – 
O Henrique só teve direito aos embargos de declaração. Isso aconteceu com outros réus também. Toda vez em que se tentava questionar o mérito  de alguma decisão, um juiz dizia que essa fase já havia passado e ponto final. Se não dava para julgar o mérito, como se poderia dizer que eram uma revisão? E foi apenas isso que o Henrique pode apresentar.
ISTOÉ – O que mais incomodou no julgamento? 
Andrea –
 O Henrique sempre foi um C. D. F. Sempre fez tudo direitinho e certinho. É um sujeito organizado. Você pode ver a história dele. De repente ele está preso, acusado de ter desviado R$ 73 milhões do Banco do Brasil...  
"O Pizzolato não mudou as regras 
do marketing para favorecer o PT”
ISTOÉ – A senhora poderia explicar o que, em sua avaliação, há de errado nessa acusação? 
Andrea – 
Não houve desvio. Basta ler a auditoria do Banco do Brasil para concluir que não houve desvio. Os gastos declarados foram feitos. Estão lá, com recibos e notas fiscais. E são gastos com empresas de comunicação, com publicidade que saiu na televisão, nos jornais, nas revistas. A auditoria mostra qual veículo recebeu tal verba, qual veículo recebeu a outra verba. Se não fosse verdade, eles poderiam ter denunciado a fraude. Mas os anúncios estão lá, foram publicados. Você acha que se alguém tivesse desviado R$ 73 milhões de reais da Visa, empresa que é dona do Fundo Visanet, ela não teria aberto uma investigação para apurar o que tinha acontecido? Você acha que se tivessem sumido R$ 73 milhões do Banco do Brasil não teria sido aberto um inquérito interno para se apurar o que tinha acontecido?
ISTOÉ – Mas como ministros que estudaram tanto o caso puderam errar como a senhora diz? 
Andrea –
 O Joaquim Barbosa citou uma auditoria de 2004 para dizer que o Henrique mudou algumas regras no marketing. Você ouve a colocação dele e tem certeza de que essa mudança foi feita para piorar o controle, para favorecer o PT. Mas é não é verdade. O Pizzolato não mudou as regras do marketing para favorecer o PT. A auditoria elogia o trabalho do Henrique. Fala que depois das mudanças que promoveu, os procedimentos ficaram melhores, o controle ficou mais eficiente. Teve um ministro que disse que o ônus da prova cabe ao acusado. Era tão absurdo, tão primário para se dizer num julgamento, que achou melhor suprimir a frase nos acórdãos. Também se disse que, embora não tivesse apoio em provas, era possível condenar um dos réus com base naquilo que diz a literatura jurídica. A discussão sobre gastos públicos foi e voltou na sentença de muitos juízes.
Foto: Mário Camera/Folhapress


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